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Entrevista 1: Aquela com as duas Camilas

A acadêmica Camila Jacoby, presidenta do Diretório Central dos Estudantes da Unesc, conversa com a professora Camila Serafim Daminelli sobre juventude, movimentos estudantis e utopias.

Foto: Reprodução.
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Camila Daminelli – Equipe .jm Camila, quero te agradecer e dizer que estou muito feliz que esse projeto comece contigo. Porque dentre todas as pessoas e instituições, temos aqui conosco uma liderança, que fala em nome da juventudes, da nossa instituição e dela para o Estado, para os diferentes lugares. Nessa conversa entre Camilas, não quero te fazer perguntas fechadas, como nome, data de nascimento, etc., quero que tu te apresentes de uma maneira confortável, de acordo com o que tu achas que é significativo pras pessoas te conhecerem, de forma bem livre.

Camila Jacoby - Eu também estou muito feliz de estar aqui. Quando recebi o e-mail, fiquei pensando: “Como assim, gente? Eu participando de um projeto desse tipo?”. Ainda tenho dificuldade de entender meu papel e minha utilidade na universidade. Escolhi a Psicologia por isso, para ser útil no mundo. Hoje sou uma pessoa de referência, alguém que os colegas procuram quando têm problemas, como não conseguir pagar a mensalidade. Isso é o que tem me conquistado, porque através do DCE consigo organizar soluções, e já ajudei diversos acadêmicos. É a função mais bonita que exerço hoje.

Sou do interior do Rio Grande do Sul, de Itati, no litoral norte. A gente costuma dizer que é entre a serra e o mar. É um lugar bom de viver, ótimo para descansar, mas uma cidade pequena, sem muita perspectiva de crescimento, porque a população é mais velha. Quando conheci a Unesc e a Psicologia, percebi que poderia sair da minha bolha e me tornar psicóloga. Já tinha algumas inquietações, como lidar com o machismo, que vivi na pele. Sempre senti essa vontade de dar voz a uma Camila que queria gritar, mas não tinha espaço. Aqui encontrei essa voz, conheci a essência da Psicologia e pessoas que debatiam coisas interessantes.

Na escola pública, já tive professores incríveis de história, sociologia, geografia, biologia, que traziam reflexões importantes. Lembro de ouvir músicas da ditadura e discutir com o professor o que significava o “cálice”, porque foi censurado. Ali já tinha sido plantada a sementinha da rebeldia.

Quando iniciei Psicologia, em 2020, veio a pandemia. Foram só 15 dias de aulas presenciais e já tivemos que voltar pra casa. Eu trabalhava em uma loja de materiais de construção e estudava à noite. Aproveitei para pegar muitas disciplinas, quase não dei conta. As provas online eu fazia como dava, sem tempo de estudar direito. Em 2022 consegui vir morar em Criciúma, como já tinha prometido à minha mãe desde o ensino médio. Sempre soube que precisava me virar no mundo, enfrentar responsabilidades e entender o que ela passou trabalhando em mercado para nos sustentar.

Perdi meu pai cedo, e isso também influenciou muito. Foi um dos motivos que despertaram em mim o feminismo, mesmo sem eu perceber. Aos 15 anos, ganhei um quadro pintado pela minha prima. Queria pendurar, mas minha mãe disse que precisava chamar um homem para furar a parede. Eu pensei: “Por que esperar alguém, se tenho mãos e ferramentas?”. Procurei um vídeo no YouTube e aprendi a usar a furadeira. Esse episódio marcou minha decisão de não depender de ninguém para coisas básicas.

A Unesc já era conhecida na minha cidade, porque participava de eventos locais. Eu sabia que queria Psicologia, não havia outro curso que me interessasse. Fiz orçamentos, liguei para universidades e cheguei a calcular quantas disciplinas poderia pagar com R$500. Mesmo sem bolsa do ProUni, insisti. Convenci minha mãe e viemos juntas fazer a matrícula pessoalmente. Foi emocionante ver meu nome registrado na universidade. Desde então, compreendi que a Unesc é muito mais que seus muros: é uma universidade comunitária, que se conecta com a região e transforma vidas.

Hoje, com 24 anos, sinto que encontrei meu espaço. A Psicologia me permite dar voz às inquietações que sempre carreguei e, através do DCE, consigo apoiar colegas em suas dificuldades. Esse papel de referência, de suporte humano, é o que mais me realiza.​​​

 

Camila Daminelli – Equipe .jm Em relação à tua trajetória, gostaria que comentasse um pouco sobre os coletivos dos quais você faz parte, aqueles que carregam essa marca da juventude. Assim conseguimos começar a discutir o que vem a ser a juventude, que público é esse e como você percebe essas pessoas em diferentes espaços hoje. Então, quais são esses coletivos e como se deu a tua inserção nesses movimentos?

Camila Jacoby - Eu já tinha comentado antes sobre aquela galera que me chamou atenção logo que cheguei aqui. Entre eles estavam o William, que hoje é meu namorado e na época era vice-presidente do Centro Acadêmico de Psicologia (Capsi), e o Giovanni, que era tesoureiro. O William fazia disciplinas comigo, então eu acompanhava de perto a atuação dele no CA. Sempre tive a inquietação de não sair da graduação sem participar desses espaços, mesmo sem saber exatamente o que eram. Antes de começar o curso, eu só conhecia o mundo das atléticas, por influência de uma amiga. Foi só depois da pandemia, já com dois anos de curso, que entendi melhor o que era um centro acadêmico e o DCE.

 

Conheci o trabalho deles vendendo camisetas do curso, organizando o “churras” do Capsi, e percebi que era uma galera interessante. Me aproximei, comecei a ajudar nas atividades e, por meio deles, fui apresentada à União da Juventude Socialista (UJS). Essa organização foi a minha escola de militância, onde me formei como sujeito político. Ali tive contato com teoria, como Marx, e com práticas de mobilização, entendendo injustiças sociais e formas de enfrentá-las. Foi através da UJS que compreendi como lutar por uma juventude e por uma sociedade antirracista e antimachista, reconhecendo também a força do movimento feminista dentro da entidade.

Logo depois, os meninos me convidaram para ser secretária de organização da UJS Criciúma, responsável por eventos e congressos, quase como uma vice-presidência. O Giovanni assumiu como presidente. Nesse período, surgiu a vaga para presidência do CA do Capsi, e eu manifestei meu interesse. Giovanni me disse: “O Capsi precisa mais de ti do que tu precisa dele”, e isso me motivou a assumir. A partir daí, iniciei todo o processo eleitoral.

Eu também tinha uma inquietação em relação ao DCE. A entidade tem 37 anos de história e, até então, só duas mulheres haviam ocupado a presidência. Isso me incomodava muito. Além disso, o William foi o primeiro presidente vindo da Psicologia, já que antes os cargos eram dominados por cursos maiores, como Direito e Medicina. Eu sabia da potência da Psicologia e queria que ela tivesse espaço.

Nesse meio tempo, conheci a UCE, a União Catarinense dos Estudantes, que representa os graduandos em nível estadual. Hoje sou vice-presidente da região Sul, que abrange várias cidades. E também estou como presidente do DCE.

A UJS tem duas formas de atrair pessoas: algumas já chegam com inquietações e se identificam com as nossas ações, como aconteceu comigo; outras são convidadas porque alguém percebe nelas potencial de liderança e organização. Lembro de quando a Suzel, que hoje é psicóloga formada, passou na nossa sala falando sobre os congressos da UNE. Mais tarde, ela me chamou para conversar e me explicou sobre a UJS. Me filiei na hora, porque senti que era exatamente o espaço que eu precisava.

Essa inquietação também tem raízes na minha família. Meu pai sempre foi político, vereador desde a emancipação do município em 2001, e depois secretário em várias áreas. Cresci vendo essa atuação. Ao mesmo tempo, não queria repetir o papel da minha mãe, que era sempre “a mulher do Valmir” ou “a Márcia do mercado”. Eu queria estar lado a lado, não atrás. Por isso, quando o William estava envolvido nas eleições do DCE, eu estava junto, apoiando e lutando ao lado dele.

A militância não é só política: também tem momentos de integração, como churrascos, onde conhecemos melhor as pessoas e suas visões de mundo. Mas também há ações firmes, como quando enfrentamos a tentativa do governador de barrar a lei de cotas. Estivemos na frente da Assembleia Legislativa, e essa mobilização fez com que muitos colegas reconhecessem meu trabalho e apoiassem minha candidatura ao DCE. Então, se tu és a segunda presidenta do DCE da Unesc em seus 37 anos de existência, e a primeira foi a Gabriela Linhos, em 2023, que hoje já é enfermeira formada, né? Ou seja, é algo bem recente. Imagina, que interessante: isso vai ficar registrado nos anais da universidade.

Camila Daminelli – Equipe .jm Um outro conjunto dos nossos interesses no projeto .jm é entender, a partir dos lugares que tu ocupas, como responder a uma pergunta capciosa como essa: afinal, quem é a juventude? De que lugar tu falas enquanto representante da juventude? Até quando tu te reconheces como jovem e o que, na tua visão, caracteriza alguém como jovem? Existe um limite, um ponto em que passa a ser ridículo dizer que ainda é jovem? Gostaria que comentasses sobre isso.

Camila Jacoby - Eu já pensei bastante sobre isso. Claro que existe uma faixa etária definida, uma ordem cronológica para se dizer quem é jovem. Mas como vou afirmar que um acadêmico de 40 anos, que está militando com a gente, não é jovem? Talvez na época dele não tenha tido oportunidade, e agora, aos 40, o “jovem interno” que existe nele está vivendo.

Sempre que penso na juventude, a palavra que me vem é rebeldia. É perceber desigualdades raciais, sociais, de gênero, e entender que isso não é justo. É reconhecer que uma mulher é tão capaz quanto um homem de ocupar cargos de liderança, que uma futura psicóloga pode estar à frente tanto quanto um advogado. Essa inquietação é o que caracteriza a juventude.

Também é verdade que a juventude costuma ter mais disposição para estar nesses espaços. Por exemplo, participar de um congresso da UNE exige uma semana inteira. Se eu fosse uma mulher com filhos e família, talvez não tivesse condições de parar tudo para isso. Hoje, como sou só eu e meu namorado, consigo dedicar esse tempo. Mas não me vejo daqui a dez anos abrindo mão das férias para ir à Bienal da UNE. Talvez eu vá para apoiar os novos, dar suporte, mas não com a mesma intensidade.

A juventude é essa fase de perceber que algo não está certo e se perguntar: “O que posso fazer para mudar?”. É na adolescência e início da vida adulta que a gente forma identidade, opinião, consciência crítica. E os coletivos dão palco e suporte para isso.

O que mais gosto na UJS é justamente o caráter coletivo. No DCE, nada é pensado só por mim. Não é a Camila decidindo sozinha, é todo o coletivo junto. Claro que eu teria condições de resolver, mas acredito que dez cabeças pensam melhor que uma. É uma postura: eu poderia fazer sozinha, mas escolho fazer em conjunto, porque isso gera ideias melhores e mais elaboradas.

E há algo que une todos esses coletivos além da categoria “jovem”: a inquietação. É olhar para o mundo e sentir que não está bom, que pode ser melhor. Hoje eu penso que daqui a dez anos estarei enfrentando outro tipo de luta. Talvez não mais sobre universidade gratuita, mas sobre valorização da Psicologia, sobre sindicatos funcionando, sobre direitos profissionais. Não acredito que vou parar de militar, mas será uma militância diferente.

Talvez eu deixe de ser jovem quando cansar da militância, quando perder essa insistência em querer uma sociedade melhor. Enquanto eu tiver essa inquietação, mesmo que seja só dentro do meu curso, vou continuar sendo jovem.

Camila Daminelli – Equipe .jm A partir dos lugares que tu ocupas e desse lugar da juventude, como é que tu avalias as nuances das juventudes contemporâneas? Porque, como tu mesma disseste, a juventude não é apenas uma questão de idade — vamos lembrar de Lenin, que já era um jovem senhor quando ainda se dizia jovem (risos). Existe algo que perpassa um momento do desenvolvimento, mas também um lugar social específico. Há juventudes que trabalham e não se inserem nos coletivos estudantis, por exemplo. Por isso tentei aproximar a discussão do jovem estudante, que é de quem estamos falando aqui. Mas como tu enxergas as outras juventudes, aquelas que não assumem o “DNA da rebeldia”, que preferem conservar ou até retroceder em certas pautas? Hoje esses outros lugares também são protagonistas. As igrejas, por exemplo, nunca estiveram tão cheias de jovens — talvez até mais do que o movimento estudantil. Gostaria de te ouvir sobre como tu vês esse cenário.

Camila Jacoby - É interessante porque esse tema é delicado no momento em que vivemos. Enquanto futura psicóloga, penso: se essas pessoas estão felizes e não estão sofrendo, tudo bem. Mas também sei que todo excesso pode estar escondendo alguma coisa — e a Psicologia nos mostra isso.

Já enquanto militante, sinto dor. Penso: “Vai atrás dos teus direitos!”. Porque, claro, cada um escolhe sua forma de se vestir, seu cabelo, seu corpo — e tanto a militância quanto a Psicologia social reforçam isso: o corpo é do outro, e só ele decide sobre ele.

Mas é delicado porque vivemos uma época em que batalhamos muito para conquistar alguns poucos direitos. E, olhando para as mulheres, por exemplo, tantas lutaram para ter o direito ao trabalho. Não estamos falando mal da casa ou de cozinhar para o marido — eu mesma adoro cozinhar para o meu namorado. Mas a louça quem lava é ele, porque não é só meu papel. Não deveria ser apenas meu papel.

Por isso, acho triste quando vejo essa necessidade de voltar a costumes antigos. É como se fosse um desrespeito à história de tantas mulheres que lutaram para que hoje possamos ir ao mercado sem pedir permissão ao marido.

Ao mesmo tempo, politicamente, dá pra entender por que isso acontece. Nem todos suportam viver em uma sociedade cheia de mulheres que se questionam. É mais fácil podar a mulher do que dar asas, do que oferecer suporte. Os privilégios estão sendo questionados, e isso gera desconforto.

Camila Daminelli – Equipe .jm Agora, pensando na juventude como sujeito político: historicamente, ela sempre ocupou espaços muito protagônicos. Seja nos fascismos — juventude stalinista, hitlerista — ou nos movimentos estudantis dos anos 1980, sempre se viu na juventude uma força visceral, quase um “DNA” próprio. Hoje, o mundo continua sendo adultocêntrico, patriarcal e capitalista. Podemos não gostar, podemos querer mudar, mas essa é a realidade. Os adultos, os partidos políticos, os gestores nos diferentes âmbitos chamam a juventude para dialogar. Mas como tu vês esse chamado? Ele acontece de forma horizontal, como um diálogo real, ou de forma hierarquizada, apenas para “ouvir sem considerar”? Gostaria de te ouvir sobre como tu percebes a juventude como sujeito político hoje, nesse cenário em que ainda há protagonismo, mas também tensões com estruturas adultocêntricas.

Camila Jacoby - Em muitos espaços, vejo que o diálogo ainda acontece de forma hierarquizada. É como se dissessem: “A tua ideia até faz sentido, mas eu tenho mais tempo de vivência”. Existe esse peso da experiência, mas, ao mesmo tempo, é a juventude que dá o suporte, que mobiliza, que faz acontecer. Muitas vezes, os partidos se colocam como os organizadores, quando, na prática, somos nós que organizamos.

Isso é até uma crítica interna que fazemos: a juventude é quem dá o gás, quem enfrenta, quem está na linha de frente das mobilizações. Só que, muitas vezes, ouvimos: “Quando eu era jovem, fiz de tal forma”. Sim, mas isso foi há 30 anos, e o jovem de hoje não é o mesmo de 30 anos atrás. É preciso reconhecer essa diferença. Claro que temos respeito pela história e entendemos que um dia também seremos esses adultos com longa experiência. Mas o diálogo precisa ser mais delicado e horizontal.

Na UJS, por exemplo, trabalhamos com o método do centralismo democrático. Isso significa que esgotamos o debate até o fim, e depois seguimos a decisão coletiva. Se o presidente ou a presidenta aponta um caminho, é porque foi construído em grupo. Existe esse respeito pelo processo, mas também aparece a postura de “nós estamos aqui há mais tempo, então sabemos mais”.

Somos chamados para conversar em muitos espaços, não só como UJS, mas também como DCE. Isso acontece porque se reconhece a potência do DCE, que alcança lugares que outras entidades não conseguem. Mas, mesmo assim, em muitos momentos, ainda sentimos esse peso hierárquico: “Nós sabemos”.

Camila Daminelli – Equipe .jm Existe algum tipo de tabu ou tema interditado nas organizações das quais tu fazes parte, ou mesmo na juventude de forma mais ampla? Como tu observas isso: há assuntos que são difíceis de a juventude de hoje aceitar ou discutir? Tu mesma mencionaste a questão geracional, em que parte dos adultos dizem “ouvimos vocês, mas falta experiência, então ficamos com a nossa visão”. Mas e do lado da juventude, existe também alguma intransigência? Há temas ou posições em que os jovens não conseguem abrir espaço para o diálogo?

Camila Jacoby - Existem, sim, alguns tabus e preconceitos nas temáticas que envolvem a juventude. Um exemplo é a forma como se fala sobre ser comunista: como se fosse errado querer que todo mundo tenha alimentação ou que as pessoas possam descansar mais do que trabalhar. Ou ainda aquelas caricaturas sobre o feminismo, como dizer que “feminista é quem não depila o sovaco”. Na verdade, o que buscamos é apenas acessar os mesmos espaços que nossos colegas homens acessam.

Dentro dos coletivos, geralmente não há esse tipo de preconceito, porque quem está ali já passou por uma quebra de paradigmas. Mas fora desses espaços, sim, ainda existe resistência, seja por falta de entendimento ou por não querer compreender o significado real de cada termo e conceito.

Pensando no futuro, vejo dois sentimentos convivendo. De um lado, há esperança: acredito que estamos caminhando para uma sociedade mais acessível, igualitária e justa. De outro, existe receio, porque em muitos momentos pensamos que os extremismos estavam perdendo força, mas em períodos eleitorais percebemos que não.

A juventude e as entidades têm crescido e ganhado protagonismo, mas também há jovens que preferem se aproximar de espaços mais conservadores, como as igrejas, que hoje reúnem muitos jovens. Ainda assim, tenho esperança de que, no futuro, se eu tiver um filho ou filha gay, ele não vá sofrer tanto quanto pessoas da minha geração ou da geração da minha mãe sofreram.

Claro que não posso garantir como será daqui a 10 ou 20 anos, porque não estou sozinha na sociedade. Mas acredito que a militância tem como essência o olhar humano: estar nesses espaços para construir uma sociedade melhor para o outro. Muitas vezes, os frutos não são colhidos por nós, mas por quem virá depois.

O que me move é isso: saber que, através do DCE, conseguimos ajudar acadêmicos com bolsas e créditos, mediar com a reitoria, apoiar quem precisa. Essa militância não é por mim, é pelo outro. E mesmo que os resultados sejam a longo prazo, acredito que estamos caminhando para um lugar melhor. O acesso à informação já quebrou muitas barreiras, as pessoas estão mais conscientes sobre fake news e buscam embasamento científico. Por isso, mantenho grandes esperanças.

Camila Daminelli – Equipe .jm Para encerrar, gostaria de saber: há algo que tu mesma gostarias de acrescentar? Alguma resposta que não foi feita, algo que tu queiras defender, informar, esclarecer ou simplesmente falar?

Camila Jacoby - Muitas vezes a gente guarda certas informações por receio de como a sociedade vai receber. No meu caso, por exemplo, quando digo que sou de uma juventude socialista, já tem quem pense: “Meu Deus, não vou nem conseguir conversar com ela”. Mas não é assim. A gente dialoga com todo mundo, principalmente no DCE. Desde o início da construção da nossa executiva, pensamos: não importa se tu és de esquerda ou de direita, o que importa é ter consciência de que estamos aqui pelo bem do acadêmico. Qualquer ação que seja em prol do estudante, visando uma graduação mais tranquila, já é suficiente para sentarmos juntos e pensarmos coletivamente. Eu sou uma pessoa muito aberta ao diálogo. Claro, tenho minhas convicções, mas sei conversar com as pessoas. Não é porque estou na UJS que não consigo dialogar. Pelo contrário: a UJS nos ensina a refletir, a questionar, mas também a dialogar, a entender que mesmo quem não está no mesmo partido pode estar junto conosco pelo bem da comunidade acadêmica e da sociedade. Então é isso: apesar das diferenças, podemos nos sentar à mesa e construir juntos.

Esta entrevista foi editada com apoio de inteligência artificial, que atuou na organização e clareza dos textos. O processo consistiu em retirar repetições, ajustar frases longas, manter o tom espontâneo da fala original e estruturar os conteúdos em blocos de sentido, dentro de uma mesma pergunta/resposta. A IA não alterou o conteúdo ou as ideias centrais da entrevistada, mas trabalhou para tornar a leitura mais fluida e acessível, preservando sua voz e autenticidade enquanto destacava os principais temas abordados. Utilizamos a versão livre do Microsoft Copilot.

A entrevista foi realizada de forma presencial, no Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero da Universidade do Extremo Sul Catarinense, no dia 28 de abril de 2026.

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