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Entrevista 2:
Aquela com a jovem na política

Em entrevista a Giovane de Souza da Silva, Gi Mondardo fala sobre sua trajetória política, os desafios da representação e a participação das juventudes na vida pública. Uma conversa sobre protagonismo juvenil e o seu papel na luta por cidades mais justas.

 

Giovane - Equipe .jm: Bom dia Gi, é um prazer te receber hoje, no meio de uma rotina tão corrida. Essa entrevista é para a Jovem Mundi, um projeto de difusão científica, desenvolvido por um coletivo de diferentes instituições e redes de pesquisa com o objetivo de popularizar conhecimentos acadêmicos, com foco especial nas juventudes, promovendo diálogos de ciência aberta. Então, para a gente poder fazer isso de uma forma que seja mais confortável para ti, queria saber se tu poderia contar um pouquinho da tua trajetória, da forma que tu te sente mais confortável. Quem é a Giovana Mondardo?

 

Giovana Mondardo: Legal! Bom, eu hoje sou uma jovem na política, mas sou dentista, vereadora de Criciúma, no segundo mandato. Em 2024, fui eleita a vereadora mais votada da cidade. Mas, antes disso, eu fui uma mulher dos movimentos sociais, do movimento de saúde, de um movimento de mulheres, líder estudantil, que construiu o pensamento crítico dentro da universidade. A partir disso e da formação de um grupo político, entendi que esse grupo político tinha que ter representação, e essa sub-representação que a gente via, que esbarrava em desafios cotidianos para as pautas que a gente defendia, precisava ser sanada. Então, a gente decidiu. Eu fui candidata em 2020, fui eleita vereadora, a segunda vereadora mais votada naquelas eleições. Fui candidata a deputada federal em 2022, quase fui eleita, e sou uma jovem na política. Então, quando eu entrei, já logo esbarrei com a institucionalidade, com o senso comum da institucionalidade, que não é feita para a juventude, que não tem a cara das mulheres e que, de maneira muito invisível, nos coloca a ocupar esse lugar, mas também buscando se adaptar àquelas condições. Eu venho desse lugar, assim, de alguém que sempre foi intransigente com as injustiças desde adolescente e que entendia que a política era uma forma de superar essas injustiças. Coloquei a minha vida, a minha carreira e a minha dedicação para esse momento da política.

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Giovane - Equipe .jm: E, dessa forma, a gente vê que a juventude é algo que está muito atrelado a todas as coisas da tua vida. Então, eu queria saber como é que a juventude atravessa e se relaciona com esses espaços que tu ocupa hoje, com as tuas decisões e teus projetos também.

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Giovana Mondardo: Eu fiz parte de uma juventude organizada desde 2013, mais ou menos, a juventude do meu partido, e sempre fiz parte dessas organizações mais coletivas. Pelo fato de eu ser jovem, eu acho que é absolutamente comum e natural que a minha coordenação de campanha, o meu grupo político, seja também muito jovem. Mas eu costumo sempre absorver essa experiência dos mais velhos, dessas pessoas que chegaram antes da gente, que viveram coisas semelhantes ao que a gente vive hoje, para que também possam nos ajudar a nos direcionar, a nos aconselhar, mas sempre com a reverência e com a energia, com o entusiasmo que a juventude pode proporcionar. Então, eu sempre valorizei muito isso. Hoje, eu tenho dois projetos em funcionamento que eu trouxe do Ministério de Ciência e Tecnologia para Criciúma e acabei levando para outras regiões também no estado, que falam sobre gerar emprego e renda para a juventude no mercado de tecnologia e inovação, laboratórios de robótica, laboratórios makers, com profissionalização dos professores também, para formar essa nova geração para esse mercado aberto, que é o mercado de tecnologia. Mas, mais do que isso, para ajudar a construir uma formação cidadã, que é o que eu acho que a juventude precisa, quer e anseia também todo dia.

 

Giovane - Equipe .jm: E essa fome da juventude mesmo é algo muito importante para as decisões dessa disputa de espaço de poder. A gente sabe como tu é referência também para muitos jovens que estão tanto conhecendo sobre a política ou desejando ser políticos no futuro também. E como é que foi para ti a experiencia, como jovem, indo para o teu primeiro mandato, nesse processo de campanha, e começando o mandato também? Como foi pensar e se reconhecer como um sujeito político na Câmara Municipal.

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Giovana Mondardo: Olha, eu acho que tem uma frase, uma música que diz que “o caminho se conhece andando”, e eu acho que é muito sobre isso quando você é jovem na política. Acho que eu tentei me adaptar inicialmente. Tentei aderir à convencionalidade do que a instituição prega, no sentido mais raso possível, até de vestimenta e de comportamento. E depois eu vi que isso não me fazia feliz, me fazia mal, e procurei imprimir a minha identidade jovem e irreverente na Câmara de Vereadores. E foi o que me fez conseguir aprovar 40 leis, a maioria delas por unanimidade. É porque desenvolvi, através do diálogo, a capacidade de conversar com quem pensa diferente, e foi o que eu sempre aprendi que a política tinha que ser. Tentei imprimir isso na Câmara e deu muito certo. Eu acho que hoje considero que foi uma grande conquista do nosso mandato na Câmara, dos nossos dois mandatos na Câmara, e que eles representam muito para a cidade, sobretudo para a juventude, que procura essa identificação na política e que procura pessoas com quem falem a mesma língua, que falem sobre as mesmas angústias que parte da juventude sente, que consuma o mesmo tipo de música, de arte, de cultura, que assista às mesmas séries, aos mesmos filmes, que goste das mesmas divas pop e por aí vai. Então, acho que esse comportamento é muito importante. Bem certinho. Então, esse é o lugar que eu acho que é da juventude e os desafios que eu acabei passando também nesse ambiente.

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Giovane - Equipe .jm: E como isso é fundamental. Mas, pensando assim, esse projeto, Jovem Mundi busca ampliar a discussão sobre quem são as juventudes e como é que a gente faz para popularizar o conhecimento que é científico também para elas. Considerando teu lugar de fala, como liderança política, como cirurgiã-dentista, como mestre e professora também: como é que tu pensa o que é ser jovem hoje e como é que tu avalia esse acesso e essa relação da juventude com esses processos de produção de conhecimento e de divulgação científica?

 

Giovana Mondardo: Legal. O que eu acho é que a juventude está sendo alvo massivo de uma crise profunda do capitalismo, e isso impõe que existam demandas financeiras que, a partir da juventude, tenham que ser absorvidas, aderidas o mais rápido possível. Então, essa tentativa de promover, no âmbito da juventude, a meritocracia ou a promessa falsa de ascensão social e econômica rápida, como muitas vezes a rede social acaba apresentando, é algo problemático e perigoso para a juventude, que se frustra já logo na primeira oportunidade por não conquistar, antes dos 20, a sua própria empresa, abrir o seu próprio negócio ou ganhar dinheiro rápido e fácil. Diante disso, eu acho que, quando a gente fala sobre popularizar a ciência e investir esse sentimento, essa intencionalidade, mais do que isso, incentivar, essa palavra, esse incentivo que a gente quer promover com a juventude através da ciência, e até como uma forma de vida, como meio de vida, como meio econômico de vida, a gente precisa primeiro garantir alguns direitos básicos importantes. Recentemente, a gente teve, por exemplo, o fato de que os pesquisadores do Brasil agora têm acesso à previdência social. Acho que isso é um grande atrativo para que a gente possa investir e popularizar, incentivar que mais jovens escolham a ciência, escolham produzir ciência, escolham a carreira acadêmica como uma forma também de meio de vida. E acho que os desafios são econômicos, são sociais, são de comportamento, mas eles têm que passar por essas duas questões. Eles têm que passar também pelo papel que a universidade tem de estimular o pensamento crítico, de estimular essa capacidade intelectual da juventude para poder se interessar também por esse ambiente, que se renova há muito tempo. Eu também acho que o Brasil precisa apresentar um projeto nacional de desenvolvimento que envolva falar sobre ciência para a juventude, que envolva falar sobre um projeto de nação que gera emprego nesse mercado, nessa indústria 4.0, que tem a cara desse novo tempo, dessa nova juventude.

 

Giovane - Equipe .jm: Então, garantir essa difusão do conhecimento em um projeto de desenvolvimento que realmente converse com a juventude é uma forma de a gente conseguir defender os nossos próprios direitos também, né? Mas, aqui, pensando ainda na tua trajetória, nos teus conhecimentos, no que tu veio trazendo para a gente aqui: como é que tem sido levar toda essa bagagem que tu tem, bagagem científica, bagagem política e também de movimento estudantil, para pensar uma possibilidade de Congresso Nacional?

 

Giovana Mondardo: Essa realidade eleitoral que eu chego em 2026, essa viabilidade eleitoral de 2026, foi construída há muito tempo. São quatro anos construindo esse projeto. Mas eu posso dizer também que, quando eu fazia política, quando eu era mais jovem, nunca me imaginei na política institucional. Achava que não, por ser jovem, mas porque nunca desejei, no sentido mais literal da palavra, ser a representante. Eu sempre fazia política de bastidor, ajudava as pessoas a se elegerem para os ambientes em que a gente disputava, mas percebi que eu também tinha disposição para ser uma dessas representantes. Eu acho que levar essa reverência da juventude, ao mesmo tempo com uma sagacidade necessária que a política exige no tempo de hoje, no século XXI, sobretudo pelo uso muito acentuado das redes sociais como também forma de disputa de narrativas, de disputa de consciência, é essencial. Então, eu quero levar para a Câmara Federal justamente esse tema que a gente está discutindo aqui: sobre popularizar a ciência, sobre mais investimentos para ciência e tecnologia. Eu já tenho feito isso enquanto vereadora, e meu caminho até lá é para a ampliação desses acessos, para que a gente possa ter formação cidadã da juventude no ambiente da educação, mas que a gente também possa promover esses projetos de vida tão necessários e urgentes para as demandas financeiras da juventude.

 

Giovane - Equipe .jm: E hoje tu sente que existem algumas prioridades que são inegociáveis para garantir que as pautas, como os direitos da juventude, ganhem centralidade no debate no Distrito Federal?

 

Giovana Mondardo: Sim. Acho que a coisa mais urgente é algo que a gente vem construindo ao longo dessa campanha, que é a defesa das mulheres, da juventude e dos trabalhadores e das trabalhadoras, porque entendo que essas três representações são as representações que estão mais negligenciadas. As mulheres, diante de uma epidemia de violência doméstica, de feminicídio, de falta de equipamentos públicos que verdadeiramente protejam as mulheres dessas condições de violência. A juventude, por conta dessa mudança de comportamento e de cultura que eu sustentei anteriormente, que tem a ver com uma demanda econômica e financeira. E os trabalhadores e as trabalhadoras porque, mesmo que a gente tenha bancadas organizadas na Câmara Federal, nenhuma delas é a bancada dos trabalhadores, e eu quero promover isso na Câmara.

 

Giovane - Equipe .jm: Eu acho que, para a gente finalizar, tem uma questão que não foi perguntada que tu gostaria de acrescentar? E, pensando nas juventudes mesmo, tem alguma mensagem que tu gostaria de deixar para quem deseja transformar a realidade através da ciência e da política?

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Giovana Mondardo: Eu acho que a juventude é a idade em que você pode se permitir errar e, principalmente, acreditar de forma muito profunda nas coisas que você se propõe a fazer. Porque ser jovem é uma oportunidade de testar as coisas, de testar, de ver se você gosta, se faz sentido, se não faz. Mas também é ali que você vai tomar decisões para a sua vida que podem ser permanentes ou não, mas que podem ter um impacto profundo em quem você vai se tornar enquanto um adulto que toca a sua própria vida e que tem os seus valores estabelecidos, porque começou na juventude. Então, a juventude é a idade dos sonhos e da esperança de um Brasil melhor. E é o que eu acredito.

 

Giovane - Equipe .jm: Perfeito! Muito obrigado pelo teu tempo nesse momento tão movimentado da sua vida. É um momento que a gente sabe que é muito importante para pensar o futuro. A nossa hora é agora mesmo. Queria te agradecer. Um abraço.

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Giovana Mondardo: Imagina! Tamo junto. Obrigada.

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