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Pós-infância

Pós-infância é uma perspectiva crítica proposta pelo geógrafo Stuart C. Aitken para questionar a ideia de infância como uma etapa universal, fixa e separada da vida social. O prefixo “pós” não significa que a infância acabou ou deixou de existir. Ele convida a repensar as categorias com que definimos crianças e jovens e a observar como idade, relações sociais, lugares, direitos e relações de poder participam da produção das experiências de infância e juventude.

Essa abordagem desloca a atenção de modelos abstratos de desenvolvimento para as vidas concretas: crianças e jovens vivem em contextos diferentes e não podem ser compreendidos apenas como pessoas “em preparação” para a vida adulta. Eles já participam do mundo social, constroem relações, produzem sentidos e atuam sobre os territórios em que vivem.

Pensar a pós-infância também exige perguntar quem tem seus direitos reconhecidos, quem pode circular e ocupar espaços, e quais experiências são desconsideradas quando se toma uma única ideia de infância como medida para todas as pessoas. Para os estudos das juventudes, essa perspectiva ajuda a questionar fronteiras rígidas entre infância, adolescência e vida adulta e a reconhecer sujeitos em suas relações, histórias e condições concretas de existência.

No Jovem Mundi, o conceito funciona como convite a pensar infâncias e juventudes sem reduzi-las a etapas universais: trata-se de observar como elas são vividas e constituídas em relação com outras pessoas, instituições, direitos e lugares.

AITKEN, Stuart C. Rethinking Child Rights through Post-Child Ethics. 2018.
AITKEN, Stuart C. Young People, Rights and Place: Erasing the Margins of Childhood. 2018.
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